Diário de Alex Pereira (Jogador: Emidio Pilato)
“Agora estou seguro, finalmente seguro! Já fazem três dias que estou fugindo deles, e o último que tentou me pegar conseguiu arrancar minha mochila de suprimentos. Estou com fome, sujo e desesperado!”
“Antes de toda essa maluquice, estava na Rua XV, indo pagar uma conta no banco. Foi quando vi a correria e vários zumbis desgraçados. O segurança da agência ficou tremendo feito um idiota, sem fazer nada! Peguei a merda da pistola dele e sai pra rua, metendo bala nos bichos (ok, alguns civis também, mas quem poderia me julgar num momento desses?). Depois de correr um pouco, estourei o vidro de um carro e sai correndo para o único lugar seguro que eu conheço num caso desse: o CINDACTA, aonde meu pai trabalhou como oficial. Mas dei azar: o Uno que eu peguei deu chabu, bem no meio da Augusto Stresser! Vendo o bando de zumbis na rua, correi para a primeira loja que eu achei. E é aonde estou agora. É uma loja de móveis, mas parece abandonada. Amanhã, com calma, dou uma vasculhada no lugar.”
“Vou descansar e tentar fugir daqui o quanto antes! Zumbis idiotas!”
19 de Fevereiro
“Muito aconteceu desde ontem. Um casal de malucos me acharam! Por sorte, não eram zumbis, mas sim dois civis perdidos, procurando abrigo. Uma garota de uns 25 anos, chamada Karen, e um jornalista tiozão, chamado Dantas. Me contaram que estavam no centro também quando a confusão começou, e vagaram a ermo pela cidade até agora. Contei meu plano, e eles acharam uma boa ideia.”
“Em três, começamos a vasculhar o local. A mocinha logo achou algo bizarro: um corpo no chão, com um buraco de bala na cabeça, e uma pistola no chão. Parece que o dono do lugar não aguentou a pressão e se matou. Melhor assim: agora temos uma arma a mais para nos defender.”
22 de Fevereiro
“Desde a minha última entrada, só maluquices e perigos rolaram. Estávamos no segundo dia escondidos na loja de móveis quando um bando de zumbis apareceu na frente da loja. Parece que perceberam a gente, e começaram a se aglomerar nos vidros. Completamente desesperados, Dantas teve uma boa ideia: usar um bujão de gás, que nós encontramos na cozinha da loja, para explodir os desgraçados. Como pavio, iriamos usar a pistola. Por sorte, milagre, competência ou sei lá o que, deu muito certo: eu e Dantas arremessamos a bagaça pela vidraça e Karen arrematou num tiro: BOOOM! Tripas nojentas para todos os lados! Saímos correndo num taxi que a dupla tinha usado para chegar até ali.”
“Dantas, que conhecia a área, falou de um posto mais a frente, aonde encontraríamos comida e combustível. Mas quando paramos, tudo tinha sido rapelado. Nem um pacote de cheetos deixaram! De novo, ele falou que mais a frente tinha uma loja de sucos. Lá fomos nós de novo. Estranhamente, nenhum zumbi a vista.”
“Chegamos na tal loja, e aqui encontramos comida e abrigo para uns cinco dias. É engraçado como tudo está destruído, como que abandonado as pressas por gente estabanada: mesas viradas, copos quebrados e pedaços de comida e guardanapos por todos os lados. Eu até compreendo: esses bichos nojentos matam de verdade, e fugir deles é a melhor coisa que se pode fazer. As vezes, para o nosso horror, um deles passa pela porta, dá uma olhada, e depois vai embora.”
26 de Fevereiro
“Caralho, que cagaço!”
“Quando ainda estávamos acampados na loja de sucos, um zumbi de merda nos viu e arregaçou a porta de vidro! Karen, com o canhão, arrebentou a cabeça dele, e lá nós fomos fugir de novo!”
“Dantas disse que algumas quadras para trás tinha uma empresa de segurança, aonde poderíamos encontrar armas e suprimentos. E lá fomos nós. Merda de ideia!”
“Chegamos no lugar, vários zumbis na área! Nojentos e fedorentos zumbis! Corremos pra dentro do prédio, cruzando um pátio. Aqui, está tudo revirado! Folhas, membros de gente, tripas, capacetes, mas nada de armas! Pra não dizer que não encontramos armas, achamos munição para a nossa.”
“Nosso prédio está cercado de zumbis. Deve ter três ou quatro deles lá fora, se arrastando e grunhindo coisas em idioma zumbi!”
29 de Fevereiro
“Parapapapa! Odeio muito tudo isso!”
“Dias atrás, no prédio da empresa de segurança, fomos atacados no meio da noite por dois fedorentos-comedores-de-miolos! Um segurança com um mordida na cabeça e um secretária, talvez. Puxa, quando era gente devia ser uma gostosa. Mas naquela hora, era ela quem queria me comer! Karen, boa de mira, arrebentou os dois e fugimos daquela merda. Entre nós e o taxi, um bando de nojentos-comedores-de-carniça.”
Dantas deu um gás e chegou no carro, já esquentando o motor. Eu, que tava com uma barra de ferro na mão, estourei a cabeça de dois ou três antes de chegar no Vectra laranja. Fechei minha porta escutando o arranhar dos nojentos na lataria. Karen tinha ficado ilhada! Caralho! Fugir, esperar, o que fazer? Nisso, do nada, ela aparece com algumas tripas de zumbi em torno do corpo. Vem se arrastando, tremendo! Parece que os cadáveres imbecis não a notaram, e ela se aproximou do carro. Quando deu pra ela entrar, saímos cantando pneu, atropelando todos os zumbis enquanto a garota se pendurava na porta!”
“Chegamos até a loja do Grande M Amarelo, na entrada da Erasto Getner. Nesse momento, estou fritando uns belos hambúrgueres de minhoca para meus camaradas, acompanhada da minha nova amiga Adelaide, a Rata!”
3 de Março (ou não...)
“Não sei quem vai ler isso, ou se vai sobrar alguém pra ler isso, mas o babado é quente!”
“Só para variar, os zumbis nojentos nos acharam no Mc Nojo. No meio da porradaria, a idiota da Kaká teve a brilhante ideia de atacar o zumbi que tentava me devorar com.. óleo fervente! Minha perna virou uma bolha nojenta, mas por sorte achamos um kit de primeiros socorros que tá dando um jeito. Mas não muito.”
“Tá, então pegamos um outro carro (uma Variant amarela com um siri de acrílico no câmbio) e seguimos para o CINDACTA. No meio do caminho, ambulâncias e carros da policia abandonados ou destruídos. Parecia um filme de guerra!”
“Finalmente chegamos na base aérea, mas não vimos ninguém. Na entrada, ao lado do avião, dois caminhões tombados. Quando fomos olhar, vimos vários corpos de soldados estraçalhados. Ao que parece, tinha algo dentro do caminhão e isso atacou os milicos.”
“Claro! Zumbis, militares, caos! Parece que chegamos no ponto inicial da infestação zumbi! Eu, que conheço essa base como a palma da minha mão, comecei a vasculhar tudo, meio louco. Mas quando eu tinha estourado uma porta com a barra de ferro, senti uma porrada na nuca e desmaiei.”
“Acho que os milicos me pegaram! Sei demais, vão me matar! Ou me transformar em um devorador-de-carcaças-sem-miolos! Merda, barulhos lá fora! Fudeu, boa sorte pra quem fica!”
Diário de Dantas Silva (Jogador: Eduardo Marques)
Sou Dantas Silva, jornalista da Tribuna do Paraná, um jornal considerado de terceira categoria aqui em Curitiba. Todos diziam: "Se torcer esse jornal sai sangue dessa porcaria." Pois é... O sangue agora está nas ruas e em cada esquina e em qualquer lugar. A Tribuna virou história da carochinha perto da realidade.
Estou escrevendo isso para que se alguém no futuro, se meter na mesma enrascada que eu, possa ter uma mínima chance de escapar. Não tenho idéia o que aconteceu com o mundo nos últimos meses. Só sei que agora o inferno é aqui.
Estava eu, sem comida, desarmado e desesperado depois que a minha esposa, meu filho pequeno e meu cachorro foram atacados no carro que nós tentávamos fugir. A maioria das pessoas morreu ou virou um morto vivo, como a minha família, presos no grande engarrafamento.
Quando encontrei Karen, uma garota gente boa, ex gerente de uma multinacional, que corria desesperada pela praça Tiradentes, vi um bando de zumbis rastejando ao longe atrás dela. Já era noite quando a encontrei. Eu propus achar um lugar para nos refugiarmos e juntarmos forças. Sozinho quase ninguém consegue sobreviver neste mundo de merda.
Corremos até o outro lado da rua e achamos uma construção antiga. Um casarão com uma escadaria e quartos no segundo andar. Parecia ter sido uma pensão. Bloqueamos a passagem e começamos a procurar itens de sobrevivência. Achei um pé de cabra na sala de manutenção do prédio e ela um taco de baseball no quarto abandonado de uma criança. Comemos algumas bolachas e nos revezamos na guarda, durante a madrugada, até que perto do amanhecer uma daquelas criaturas repugnantes, cheirando a morte, conseguiu se esgueirar lá pra dentro.
Karen se escondeu e eu fiquei atrás da porta no topo da escadaria. Quando o desgraçado do zumbi chegou até ali golpeei tão forte a cabeça dele que seus olhos saltaram das órbitas e ele rolou lá pra baixo. Eu e Karen corremos como desesperados lá pra fora. A garota, ela é bem decidida, achou um táxi rapidamente: Um Vectra. Arranquei o cadáver do motorista que fedia demais depois de ter estourado os seus miolos. Mais um coitado que não aguentou viver nesse mundo desgraçado. Infelizmente sua arma tinha desaparecido. Então Karen tirou o sangue e miolos que cobriam o parabrisa e ela assumiu o volante.
Nos mandamos em direção ao Alto da XV. Queríamos ir até a base aérea do Bacacheri. Os militares devem ter pensado em algo para conter essa desgraça. Mas, infelizmente, nossa gasolina não nos levaria tão longe. Chegamos na Augusto Stresser e nos refugiamos em uma loja de móveis que parecia vazia. Deixamos o carro do outro lado da rua. Entrando lá encontramos um rapaz, Alex, que parecia ter vindo do interior. Ele estava dormindo em um dos sofás. O acordamos e ele parecia não estar nem aí para o que estava acontecendo. Não sei se era ingenuidade ou estava tentando entender toda aquela tragédia. Apesar de tudo, nesse lugar, encontramos um tesouro. Um revólver Magnum 44. Apesar do som atrair os zumbis nos sentimos mais seguros com um cano desses para nos proteger.
Tentei duas vezes sair para procurar comida. Mas tinham muitos deles lá fora. Ficamos lá a noite inteira esperando uma oportunidade para vazar dali. Só que esperamos demais. Então quando amanheceu, os desgraçados sentiram o nosso cheiro e ficaram se debatendo contra o vidro da loja tentando entrar. Fomos para a saída dos fundos mas ela estava trancada. Em alguns minutos os filhos da puta entrariam e nos arrastariam para o inferno com eles. Só nos restava arriscarmos o nosso pêlo. Eu e Alex pegamos um bujão de gás e atiramos contra a vitrine. Enquanto o vidro quebrava e os mortos vivos tentavam entrar. Karen disparou a Magnum e uma bola de fogo jogou os malditos pra longe. Corremos como loucos até o táxi e deixamos todos aqueles coitados em chamas. Foi por um triz.
O revólver da Karen só tinha uma bala na agulha. No caminho para a base aérea achamos uma empresa de segurança. Ao redor zumbis andavam de um lado para o outro. A porra do transformador do poste tinha estourado e atraiu todos os mortos vivos do pedaço. Começo de terceiro dia difícil. Mas fomos lá, entramos pelo pátio e estacionamos. A Karen ficou na cobertura. Corri como um louco driblando os zumbis. Parecia fácil até que na entrada dei de cara com um dos grandes. O golpei com o pé de cabra, mas assustado errei. Acertei o ombro do morto vivo, que ficou pendurado pelo osso, mas não adiantou nada. Como nos filmes ele continuou vindo com os dentes perto da minha cara. Gelei! Achei que tinha chegado a hora de se tornar um deles. Mas Karen acertou em cheio a testa do cadáver ambulante.
Ufa! Entramos na empresa cheia de salas menores. Bloqueamos a passagem. Droga, só achamos mais quatro balas. Passamos a noite lá. Quando amanheceu um zumbi entrou por uma janela. Não tínhamos visto essa. O desgraçado foi pra cima da gente. Fiquei apavorado e golpeie como um doido o desgraçado. Matei, mas o pé de cabra já era. Me tranquei em uma sala enquanto pensava em minha família e decidia se queria viver ou morrer. Karen me acalmou.
Era hora de cair fora mais uma vez. Sou o mais rápido por isso de novo fui na frente e entrei no carro. Liguei o motor e fechei as portas. O pátio começou a ficar cheio de zumbis atraídos pelo som do motor. Velhos hábitos são difíceis de perder. Deveria ter esperado para ligá-lo na última hora. A Karen pegou as tripas do infeliz que tínhamos matado na chegada e caminhou devagar. Teve sorte. Os zumbis não sentiram o cheiro dela. Alex vinha na frente e arrebentou a cabeça de uma daquelas coisas atirando sem errar, rolou pelo chão e saltou no banco da frente. Saí cantando pneu enquanto a horda cercava o carro e eu os atropelava. A porta do passageiro estava aberta e levou alguns longos segundos até Karen fechá-la. Mas não pararia nem fudendo.
Bora achar um posto de gasolina. Lembrei de um. Chegamos lá e o lugar já tinha sido saqueado. Nem uma bolacha salgada. Muito menos gasolina. Nosso tempo estava acabando e o combustível estava na reserva. Perto dali, no Bacacheri, as ruas estavam inundadas de mortos vivos. Então desviamos o caminho e achamos um Jungle Juice. Estávamos famintos. Chegamos lá e achamos montes de verduras estragadas do restaurante natureba. Pelo menos hambúrgueres vegan tinham de sobra no congelador. Depois de ver tanta gente ser devorada talvez vire vegetariano, NOT!
Logo que começamos a comer o cheiro de gás invadiu nosso abrigo. Será que tudo ia pelos ares? Sorte que achei o problema. Alex acostumado a usar fogão a lenha no meio do mato, o capiau esqueceu a boca do fogão aberta. Apesar disso a noite foi mais tranquila.
Saímos do abrigo de manhã alimentados e descansados e rodamos com o nosso carro até o Macdonald´s do Cabral. Estávamos perto da base aérea. Mas a porra da gasolina tinha que acabar bem agora? O lugar com vidros amplos nos permitia vigiar 360 graus. Karen fritava hamburguers do grande M e Alex não parava de dizer: "Amo muito tudo isso!" Tivemos que rir do figura. É bom um pouco de descontração em meio ao pesadelo. Mas aí é que a merda aconteceu. Um zumbi que estava preso no banheiro saiu de lá vestido com o uniforme da lanchonete e quem virou fast food fomos nós. Não tive tempo para nada. Alex também estava sentado comendo. Então Karen sem pensar jogou toda a banha fervendo no desgraçado. Ele urrou mas continuou a ir em nossa direção. Alex também foi atingido e sua perna ferveu em uma horrível queimadura de terceiro grau. Ele gritava enquanto Karen abatia o zumbi a golpes de frigideira. O cheiro de carne podre queimada invadiu o lugar.
Saímos carregando Alex. Ele estava pálido e parecia que não ia resistir. O único carro que tinha ali era a porra de um TL amarelo barulhento. Dirigi manobrando tentando achar espaço por entre os carros parados. Um verdadeiro cemitério a céu aberto. Consegui uma brecha e dirigi devagarinho enquanto os malditos surgiam de tudo que era lado com o barulho do motor. Deixamos o carro há uma quadra da base aérea e seguimos a pé nos escondendo. Alex, acho que por causa da dor desatou a falar alto, a rir e depois correu como um louco. Seguimos ele. Febril e sem pensar ele atravessou os portões da base aérea que estavam derrubados. Um caminhão enorme, retorcido e um tanque de guerra destruídos ladeados por dezenas de corpos de militares jaziam ali. O ground zero. Parece que tudo começou nesse lugar. Então lá dentro, com todas aquelas criaturas nos seguindo, Alex arrombou uma porta e entrou nos alojamentos. Gritava e fazia barulho febril e enlouquecido. Fechei a porta que estava atrás de nós só para escutar os zumbis trombarem com ela. Eu e Karen andamos procurando Alex que tinha desaparecido. Encontramos o coitado apagado aos pés de um homem negro e forte com um uniforme de faxineiro nos apontando uma pistola. Ele disse: "Quietos! Querem chamar todos os zumbis aqui pra dentro seus imbecis? Silêncio! Quem manda aqui sou eu! Estão de acordo?"
Sem ter o que fazer só concordei com a cabeça e li o nome do bruta montes em seu crachá e falei: "Sua casa, suas regras Tobias!"
To be Continued...

